Com clubes de leitura, Piauí tem maior salto no Ideb do país
Segunda melhor nota no Ensino Médio, estado adotou Elefante Letrado para democratizar livros e diagnosticar fluência dos alunos
Por Paula Sperb
O estado do Piauí teve o maior salto na nota do Ensino Médio para o Ideb (Índice de Desenvolvimento da Educação Básica) do país. Em vinte anos, o Piauí saiu da nota mais baixa para a segunda mais alta do Brasil.
Em 2005, quando a série histórica começou, o resultado do Ensino Médio foi de 2,3. Em 2025, foi de 4,9, ficando atrás apenas do Paraná, que atingiu 5,1 — a escala é de 0 a 10. O Ideb avalia a qualidade da educação básica no país, dos anos iniciais até o Ensino Médio. O Piauí avançou em todas as etapas. Os dados foram divulgados pelo MEC (Ministério da Educação) em agosto deste ano.
De acordo com a superintendente de ensino da Seduc (Secretaria de Estado da Educação) do Piauí, Viviane Fernandes Faria, uma série de ações adotadas explicam o avanço. “Essa gestão priorizou a educação, transformando escolas em tempo integral, o que possibilitou um currículo muito mais robusto. A oferta do itinerário de educação profissional proporcionou mais tempo para inovação tecnológica, aulas de inteligência artificial, mais aulas de língua portuguesa e matemática e um forte trabalho de recomposição de aprendizagem”, diz.
Entre os fatores destacados pela superintendente, estão a melhoria na infraestrutura com laboratórios de informática, um programa de formação semanal dos professores do Ensino Médio e a análise sistemática de resultados.
Um dos componentes curriculares que ganhou atenção especial no Ensino Médio foi a leitura, agora com uma disciplina específica no currículo, não ficando apenas concentrada nas aulas de língua portuguesa. Ações como Clube do Livro nas escolas ajudaram a incentivar o hábito.
Desde 2025, o Piauí adotou o Elefante Letrado, plataforma pedagógica para leitura nas escolas. Com biblioteca virtual, possibilidade de atividades de escrita criativa e até gravação da leitura oral, o Elefante Letrado também permite testar a fluência leitora dos estudantes.
“O estado do Piauí seleciona criteriosamente as plataformas que insere dentro da sua proposta. Elas têm que ter um objetivo que esteja em consonância com a proposta pedagógica do nosso currículo. Não são muitas, mas as que adotamos são criteriosamente selecionadas. O Elefante Letrado é uma dessas plataformas que têm aliado a tecnologia à aprendizagem”, explica a superintendente.
Ela diz que o trabalho da Seduc é baseado em evidências. Por isso, os dados dos testes de fluência leitora da plataforma colaboraram com o aspecto gerencial. “A partir da análise do diagnóstico dos nossos estudantes, podemos até intensificar as ações para o desenvolvimento das habilidades utilizando as propostas que a plataforma nos oferece”, diz Faria.
A superintendente destaca ainda o engajamento dos professores como um elemento que garantiu o sucesso da implementação da adoção da plataforma em busca do “objetivo comum em prol da aprendizagem dos estudantes”.
A consultora pedagógica Stefany Horta, do Elefante Letrado, corrobora a importância dos educadores do Piauí para o sucesso da adoção da ferramenta. “Os professores abraçaram a plataforma como um apoio para utilizar nas aulas. Eles entenderam como uma forma de democratizar a leitura, com todos os alunos tendo acesso aos livros”.
Horta destaca o uso do Elefante Letrado no Clube de Leitura, projeto desenvolvido nas escolas do Piauí. É o caso do clube da escola CETI Professora Neném Cavalcante, da cidade de Piripiri, a cerca de 170 km da capital Teresina.
Lá, a professora Rafaela Alves Soares realiza saraus literários do Clube do Livro, nos quais também celebra a entrega dos certificados de leitura dos alunos. “Sempre gostei de trabalhar com projetos de leitura, mas a gente tinha uma limitação que era ter livro disponível em biblioteca para todos os estudantes”, explica. Com o Elefante Letrado, todos os alunos podem ler o livro escolhido pelo clube e ainda ler os seus preferidos.

“A plataforma é extraordinária. Posso trabalhar conto, crônica, romance, poesia, tem tudo. Os alunos adoraram. Passo as tarefas por ali. Se estamos trabalhando o Romantismo, escolho uma obra dessa escola literária e assim por diante”, conta a professora.
As turmas da professora têm período fixo no laboratório de informática para ler. Entretanto, muitos acabam lendo mais em casa. “Vou acompanhando o tempo de leitura. Tem como acompanhar na plataforma se eles cumpriram aquela leitura designada e tem a devolutiva também através de portfólio e de respostas ao quiz”, explica Soares.

Nos saraus do clube, os alunos montam peças de teatro e recitam obras. Em 2025, a professora trabalhou com os alunos o clássico brasileiro “Vidas Secas”, romance de Graciliano Ramos, o conto “A Cartomante”, de Machado de Assis, e “Alguma poesia”, de Carlos Drummond de Andrade.

A professora percebeu que a leitura no meio digital não anula o interesse pelo livro de papel. “Os alunos que se engajam acabam lendo muito mais do que os livros que eu passo. Grande parte dos que já estão se formando como leitores leem porque gostam mesmo. Vejo que alguns compram livros, eles me mostram ou até mesmo passam a frequentar mais a biblioteca”, relata.
“Fico muito feliz quando vejo que eles estão realmente entrando no mundo da leitura”, diz Soares.
Se o Elefante Letrado faz parte da sua vida, como profissional da educação ou estudante, queremos te ouvir! Sua história pode virar uma matéria no nosso blog. Escreva para blog@elefanteletrado.com.br e conte seu relato.
Sem Comentários