Escolas públicas dos Estados Unidos adotam plataforma de leitura para ensinar português

Amplo acervo de livros em língua portuguesa como suporte para estudantes que aprendem a língua 

Por Paula Sperb

Nos Estados Unidos, crianças aprendem o português com auxílio da plataforma Elefante Letrado em 19 escolas públicas. A partir do primeiro ano, logo após a alfabetização em inglês, milhares de estudantes acessam o acervo em língua portuguesa para cumprir suas metas de leitura e escutar o idioma.

“Eles gostam muito das histórias com mais interação, onde a tela se movimenta. Se clicar no pássaro, ele faz barulho de pássaro; se clicar na água, faz barulho de água. Quando tem uma música, dá para escutar essa música cantada. Eles adoram quando tem o quebra-cabeça. Eles gastam bastante tempo e voltam nele várias vezes. Eles acabam voltando aos livros preferidos várias vezes, aumentando o tempo de leitura”, conta Daniele Turecke, professora de português na South Mesa Elementary School, na cidade de St. George, no estado de Utah. 

Ela ensina português para crianças do 4º e 5º ano. “É muito incrível. Eu amo o que faço todos os dias. Na primeira série, elas já iniciam no português. A gente vê crianças que não têm nenhuma bagagem, nunca ouviram uma palavra em português, mas que em menos de um ano já são capazes de se expressar dentro dos tópicos estudados em sala de aula”, conta a professora.

O idioma é falado por cerca de 300 milhões de pessoas no mundo, sendo a língua oficial em nove países: Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Guiné Equatorial, Moçambique, Portugal, São Tomé e Príncipe e Timor-Leste. 

Seja em Utah ou em outros estados como Massachusetts, Rhode Island e Califórnia, o Elefante Letrado desempenha papel fundamental para o aprendizado. Devido à escassez de livros físicos em português, a plataforma permite que todos os alunos possam acessar o acervo. 

“Custa muito caro trazer livros físicos, importar do Brasil. Uma das premissas de Utah é usar materiais autênticos. A gente precisava de literatura. O programa não ensina apenas língua, mas cultura para as crianças. A gente enxergou o Elefante Letrado como uma ferramenta fantástica e importante para o nosso currículo”, explica Silvia Regina Roble Juhas, que foi coordenadora estadual do programa de português em Utah e agora coordena um distrito escolar. 

“Em Utah, são cerca de 3.600 alunos do 1º ao 9º ano estudando português. O Elefante Letrado é oferecido ao Elementary, ou seja, do 1º ao 5º ano. Os alunos gostam muito e os professores também. Os alunos gostam porque é possível ouvir os livros além de ler. Os professores que trabalham com mais afinco têm resultados melhores, mas em média o resultado é fantástico. Os alunos leem muito. Sem o Elefante Letrado, seria impossível ter esse volume de leitura. Além das outras possibilidades que é checar a compreensão, a gravação e o teste de fluência que entendemos como um dado importante”, explica Juhas, que trabalha com a plataforma há cerca de dez anos. 

O resultado é confirmado pela equipe do Elefante Letrado no Brasil. “De longe são os nossos maiores leitores nos Estados Unidos. É muito bem sistematizado o uso da plataforma, os professores realmente usam. Então, é um tempo e uma quantidade de livros muito fora da curva”, diz a consultora pedagógica Stefany Horta. 

Na South Mesa Elementary School, os alunos têm como tarefa de casa ler ao menos 20 minutos por dia, o que resulta em 100 minutos obrigatórios semanais. Destes, 50 minutos de leitura em inglês e 50 minutos em português. O Elefante Letrado também dispõe de material em língua inglesa.

“Isso faz com que seja uma extensão do que aprendem em sala de aula. Eles enriquecem o vocabulário e não teriam essa exposição mais ampla ao idioma se não fosse a plataforma. A criança é exposta ao folclore, música e histórias que falantes nativos têm acesso. Acaba sendo a matéria que eles mais gostam, porque as aulas são muito divertidas”, diz Turecke. 

De acordo com Juhas, o domínio do português abre muitas portas profissionais aos estudantes. Quando os alunos de Utah terminam o 9º ano, eles prestam uma prova de proficiência. Os aprovados podem entrar em um programa para o High School — o Ensino Médio no Brasil — com duas matrículas: na escola e na universidade. “Eles cumprem créditos universitários. Assim, entram na universidade com créditos a menos para concluir um minor [um diploma de um segundo curso] em português, por exemplo. Isso abre possibilidades de trabalho”, explica a coordenadora. 

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