Pesquisa aplicada e tecnologia educacional contribuem para transformar o ensino no Brasil

Com base em evidências científicas, o Elefante Letrado incentiva o hábito da leitura — estudo da PUCRS aponta relação entre fluência leitora e desempenho escolar

Por Paula Sperb

Com mais de 4 milhões de testes de fluência leitora realizados e validados por redes públicas e privadas de todo o Brasil, o Elefante Letrado desenvolve sua plataforma de incentivo à leitura com base em evidências científicas.

A metodologia do teste foi elaborada a partir da coleta de dados e da análise de um corpus, aliadas à inteligência humana e à tecnologia. Além disso, enquanto a fluência costuma ser avaliada apenas no 2º ano do ensino fundamental, o Elefante Letrado desenvolveu réguas de proficiência precisas que se estendem até o ensino médio.

“A gente fica bem orgulhoso de saber que tudo o que colocamos na ferramenta está impactando as salas de aula, alcançando milhões de pessoas aqui no Brasil e até fora do país. Isso é inovação com pesquisa aplicada para resolver um problema da vida real. Essa é a coisa mais bacana: o compromisso efetivo em buscar alternativas para solucionar os problemas reais da sala de aula”, diz Mônica Timm de Carvalho, CEO do Elefante Letrado.

O Elefante Letrado possui um departamento próprio de pesquisa e desenvolvimento. Além da equipe interna, o setor recruta profissionais de áreas como psicolinguística e bilinguismo para desenvolver seus produtos.

Além das pesquisas desenvolvidas pela empresa, estudos externos também validam os dados da plataforma. É o caso das pesquisas realizadas na PUCRS (Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul). Os dados dos testes de fluência ajudam pesquisadores a compreender os caminhos da aprendizagem.

Na Escola de Medicina da PUCRS, uma equipe multidisciplinar, que inclui médicos, psicólogos e educadores, busca compreender o processo de aquisição da leitura e suas correlações com o desempenho escolar global.

Um dos estudos mais recentes, ainda em fase de avaliação, acompanhou 137 crianças do 1º ao 3º ano analisando a relação entre a habilidade leitora de alunos e o desempenho escolar nos anos seguintes. Segundo o médico Alexandre Padoin, professor da PUCRS, os estudantes que apresentaram boa fluência leitora no 1º ano concluíram o ciclo seguinte com notas significativamente melhores em língua portuguesa e, surpreendentemente, também em matemática.

“A leitura no 1º ano funcionou como um fator preditor do desempenho escolar geral nos anos seguintes”, explica Padoin. A descoberta reforça a tese de que as habilidades relacionadas à competência leitora são fundamentais para a compreensão em todos os componentes curriculares..

“A fluência de leitura é uma medida rápida e objetiva e pode funcionar como um sinal de alerta precoce”, explica Thiago Wendt Viola, professor da Escola de Medicina da PUCRS. De acordo com ele, avaliar periodicamente a fluência de turmas inteiras pode ajudar a identificar com agilidade as crianças que se beneficiariam de uma avaliação mais aprofundada.

“É importante destacar que isso é triagem, e não diagnóstico. Um resultado baixo indica que vale a pena olhar com mais atenção, mas o diagnóstico de um transtorno de aprendizagem exige avaliação clínica especializada”, diz Viola.

“Não se trata de substituir o diagnóstico clínico feito por psicólogos e médicos, mas de ter um instrumento capaz de acender um alerta precoce”, acrescenta Padoin. Quando um padrão de risco é identificado logo nas séries iniciais, a escola e a família podem intervir a tempo, evitando anos de sofrimento acadêmico.

Outra pesquisa relevante desenvolvida pelo grupo demonstrou que o indicador de “palavras corretas lidas por minuto” tem forte correlação com resultados de testes neuropsicológicos cognitivos tradicionais. O número de palavras corretas lidas por minuto é uma variável nova para o estudo. Sua análise é um diferencial para os dados obtidos, só possível por causa da ferramenta do Elefante Letrado.

“Ler em voz alta com fluência não é só reconhecer palavras de forma automática. A criança precisa acompanhar o texto em tempo real, perceber e corrigir os próprios erros e conter a tendência de adivinhar uma palavra antes de lê-la por inteiro. Essas tarefas dependem das funções executivas, que são as habilidades de autorregulação do pensamento e do comportamento. No nosso estudo com 106 crianças do 2º ao 5º ano, as que liam mais palavras corretas por minuto, segundo o teste de fluência de leitura do Elefante Letrado, também tinham melhor controle inibitório e melhor memória de trabalho. Essas duas funções explicaram parte relevante das diferenças na fluência, mesmo quando consideramos idade e sexo. Na área, isso é interpretado como evidência de que a fluência funciona como uma ponte entre decodificar e compreender e de que recruta tanto processos linguísticos quanto mecanismos de controle cognitivo”, explica Viola.

Para viabilizar as pesquisas, o grupo adota um protocolo rigoroso de proteção de dados. Todas as informações utilizadas são completamente anonimizadas: os nomes dos alunos são eliminados e as escolas que concordaram em participar do estudo são identificadas apenas por códigos, garantindo o sigilo exigido pelos comitês de ética acadêmicos.

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