Plataforma de leitura aproxima alunos de livros digitais e impressos em SP

Escola Estadual Luiz Amaral Wagner, na Zona Norte da capital paulista, recebeu a visita do Sr. Elefante; professores relatam que a familiaridade com os títulos digitais desperta o interesse por suas versões em papel disponíveis na biblioteca.

Por Paula Sperb

A semana do dia 19 de outubro começou diferente na Escola Estadual Luiz Amaral Wagner, no bairro Vila Constança, na Zona Norte de São Paulo. As crianças receberam a visita de um amigo que, até então, só conheciam pelas telas: o Sr. Elefante.

Os 577 estudantes matriculados, do 1º ao 5º ano, acessam a plataforma Elefante Letrado para aprimorar a alfabetização e a leitura. Duas vezes por semana, no laboratório de informática da escola, utilizam os recursos durante as aulas. Alguns alunos também acessam a plataforma em casa, com suas famílias, fora do horário escolar. Por isso, o Sr. Elefante e o Bruno, seu amigo que canta e toca músicas no violão, são figuras habituais na rotina dos alunos.

plataforma de leitura

“É o Bruno!”, vibram as crianças quando reconhecem-no. “Quem gosta de leitura levanta a mãozinha!”, ele convida. Os estudantes respondem empolgados, de braços erguidos: “eu, eu, eu!”. As crianças estão sentadas no refeitório da escola, preparado para o show com uma decoração que remete ao Elefante Letrado. É ali que, depois de muitas brincadeiras com Bruno, o Sr. Elefante sai do mundo da imaginação para encontrá-las.

Esse encontro só é possível, pois a Escola Estadual Luiz Amaral Wagner foi uma das que se destacaram no uso da plataforma Elefante Letrado. A leitura faz parte do cotidiano do colégio. “Quando os professores entram em sala, eles têm uma leitura que eles chamam de leitura de deleite. É aquela leitura inicial para dar aquela tranquilizada na turma”, conta a diretora, Lucimar Cecilia Brioschi Contini.

De acordo com as gestoras, o Elefante Letrado tem contribuído para consolidar o processo de alfabetização, que ocorre sobretudo nos dois primeiros anos escolares. “Eles amam quando aparecem as letrinhas, eles ficam felizes quando conseguem ler”, conta Contini.

Do 3º ao 5º ano, quando os alunos já estão alfabetizados, a plataforma serve de estímulo à leitura. “Eles relatam que acabam acessando em casa também. Os pais conhecem a plataforma, eles falam da plataforma para a gente, contam que gostam também”, diz a vice-diretora, Kelly Clair Nunes de Lima.

O colégio integra o PEI (Programa de Ensino Integral), da SEDUC-SP (Secretaria da Educação do Estado de São Paulo). Os estudantes passam nove horas na escola, onde fazem três refeições completas, preparadas com base em um cardápio elaborado por nutricionistas. No fim da visita do Sr. Elefante, o aroma da cozinha invadia o refeitório. O cardápio do dia era composto por arroz, feijão, estrogonofe de frango e salada de repolho.

plataforma de leitura

No período integral, o tempo ampliado na escola não se limita à alimentação e à rotina diária: ele também abre espaço para práticas pedagógicas que integram tecnologia e literatura. O uso de uma plataforma digital de leitura, por exemplo, dialoga diretamente com o acervo físico da biblioteca, criando uma ponte entre o virtual e o impresso que enriquece a experiência dos alunos.

Os alunos comemoram quando encontram na biblioteca da escola livros que já leram na versão digital. “Eles falam: ‘prô, esse livro tem aqui na biblioteca’. Então, é muito ‘casadinho’, e isso só tem colaborado com o dia a dia. Eles ficaram fascinados com isso, né? Porque casa uma coisa com a outra. No 2º ano, teve a leitura do livro “O Menino Maluquinho” (Ziraldo). E aí também tem na plataforma “O Menino Maluquinho”, né? Então, eles leram, fizeram o chapéu do Menino Maluquinho”, relata a professora Meire Auta Santos Abreu, do 3º ano.

A professora destaca também a importância da liberdade de seleção dos livros. Além dos títulos trabalhados em aula, ela permite que os alunos definam suas próprias leituras. “Deixo eles abrirem a plataforma e deixo que eles escolham. Como acontece essa escolha: eles vão lá, escolhem e aí, na semana seguinte, eles têm que chegar e falar na sala o que eles entenderam do livro. Nós temos uma atividade que é o Passaporte da Leitura”, explica Abreu.

Para a docente, a livre escolha permite que os alunos se apropriem da leitura por vontade própria, tornando-a um prazer, e não apenas uma obrigação.

“O Passaporte da Leitura é como se fosse um caderninho que uma pessoa, um aluno da sala, tem que trazer um livro e ler. Aí tem que anotar o autor, o título, a data e o dia que acabou de ler”, explica a aluna Helena Beatrice Estevão Ferreira Serra, de 9 anos.

Outra estratégia adotada pela escola é o Leiturômetro, um índice de leitura criado para estimular os alunos. “Conforme eles vão melhorando a leitura, no tom de voz, na pontuação, eles vão ganhando carinhas. Tem a carinha que pode ser que a leitura esteja mais baixa, tem a carinha que a leitura está boa e tem a leitura que contempla três pontos principais, que são a voz, a leitura boa e a pontuação”, conta a professora Fabiana Moro Vallejo da Silva, do 3º ano.

plataforma de leitura

À medida que acumulam leituras, as crianças recebem figurinhas da plataforma para completar álbuns. É um dos recursos dos quais a aluna Heloísa Dantas de Oliveira, de 9 anos, mais gosta: “É muito legal. A gente pode trocar as figurinhas. Eu já estou na letra K [das estantes]. Então, minhas amigas sempre me chamam porque tenho muitos pontos e várias figurinhas para trocar. Eu amo as figurinhas. Amo ler livros grandes. Em casa tenho um monte de livros, cada dia da semana pego um para ler”.

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